a permanência na República Democrática do Congo do presidente Sarkozy deveria durar exactamente quatro horas de tempo.
Para muitos observadores, o presidente francês deveria explicitar, diante dos parlamentares,
as propostas que ele apresentou aos embaixadores no mês de janeiro último , numa iniciativa de paz que ele tinha
delineado para tentar resolver de uma maneira duradoura o conflito no leste da República Democrática do Congo.
Nicolas Sarkozy tinha proposto uma "nova aproximação" para apaziguar a região dos grandes lagos, propondo uma "partilha das riquezas" entre a RDC e o
Ruanda. Propostas essas que suscitaram e continuam ainda suscitar
múltiplas reacções na classe política congolesa, apesar das explicações fornecidas pelas autoridades francesas.
Segundo o embaixador da França na RDC, a chegada em Kinshasa do presidente Sarkozy, à convite
do seu homólogo congolês,
Joseph Kabila, é uma
importante oportunidade para
fortalecer as relações que
já são muito boas, até mesmo
excelentes, entre a RDC e a
França, nomeadamente nos domínios político, económico e diplomático.
O diplomata francês
exprimia-se assim, no final de uma audiência
que lhe foi acordado pelo Primeiro-ministro, Adolphe Muzito.
Crendo nisto, Nicolas Sarkozy
vai se pronunciar ao longo desta visita sobre a contribuição
da França no plano de estabilização
e de reconstrução
do leste da RDC.
Sobre este tema,
Pierre Jacquemot indicou que a França tem a mesma visão que o governo congolês sobre a esquema da reconstrução do leste. O que deve passar pela
restauração dos serviços públicos, principalmente, as escolas
e os hospitais, o restabelecimento de uma justiça transaccional, o repatriamento dos refugiados e o regresso dos deslocados.
O diplomata francês afirmou igualmente ter sugerido ao
Primeiro-ministro de arranjar tempo para encontrar-se com os industriais franceses que irão fazer parte da delegação presidencial. Esta delegação será conduzida
pelo ministro francês da economia
e finanças, Christine Lagarde.
" Nós estamos prontos, nós franceses, nós europeus e nós membros do Banco Mundial à contribuir para a reconstrução do leste, é um desafio formidável para
a paz na República Democrática do Congo ou para a paz
na África Central onde a RDC
ocupa um lugar eminente e preponderante. Tudo o que é bom para a República Democrática do Congo, é bom também para
África Central ", concluiu
Pierre Jacquemot.
Este último também se reuniu durante a última semana, com o Presidente do
Senado, Léon Kengo Wa Dondo. Ambos trataram particularmente do discurso
que o Presidente francês vai fazer diante do Parlamento
Congolês .
Nesta ocasião, Léon Kengo Wa
Dondo manifestou a sua satisfação de receber o presidente francês,
lembrando ao seu interlocutor que
há vinte e cinco anos, quando ocupava o cargo de
Primeiro-ministro, ele tinha recebido o
Presidente francês
François Mitterrand. Um quarto de
século mais tarde, está encantado de receber um outro Presidente da República
Francesa em visita na República Democrática do Congo.
Nota-se que depois de Kinshasa, Nicolas
Sarkozy será recebido em Brazzaville,
antes de rumar, no dia seguinte para Níger.
Paulo Maier.
Edição: Africamania.com.pt
|